Museu Afro Brasil abre exposições sobre a arte da gravura no Brasil e no Japão

Categoria: 2014
Publicado em Terça, 15 Abril 2014 12:47
Escrito por Kenia Gomes, com as informações do Museu Afro Brasil

4Neste dia 16 de abril estarão abertas ao público duas exposições no Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. A primeira, composta por um raro acervo dos mestres do ukiyo-e aborda a tradicional arte da gravura japonesa. A outra celebra os gravuristas brasileiros e nossa longa tradição nas diferentes técnicas de gravura.

Com 42 trípticos e um políptico, a exposição A arte do Ukiyo-e – A tradição da gravura japonesa, tem curadoria de Emanoel Araujo e reúne trabalhos de Toyohara Kunichika, Utagawa Kunisada, Utagawa Yoshitora, Utagawa Kuniaki, Utagawa Yoshiiku, Fusutane, Tsukioka Yoshitoshi e Utagawa Hiroshige II.

Quarenta e três obras pertencentes ao colecionador e artista visual Roberto Okinaka, produzidas na década de 1860, durante a transição do poder dos samurais ao Imperador Meiji, oferecem um panorama da sociedade, da cultura e das tradições do Japão em estampas multicoloridas, de minuciosa realização artística. À montagem foram incorporados quatro quimonos e seis obis do acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social.

"A 'pintura-brocado', como se chamava a estampa multicolorida se estabelece pelos anos de 1750, na cidade de Edo (atual Tóquio), então sede do xogunato Tokugawa, e passa a servir um mercado editorial crescentemente ávido por novidades. A movimentação de palavra recitada, registrada em caligrafias inesperadas (livros e libretos de diversos gêneros), encenada (teatro kabuki), encontra na imagem seu mais valioso suporte: a pintura impressa, a qual acompanha também dizeres mercadológicos, guias de viagem, convites particulares, publicações didáticas, propaganda de entretenimentos, notícias gerais", avalia a professora da FFLCH/USP, Madalena Hashimoto Cordaro, autora do texto de apresentação.

Ao mesmo tempo, o museu celebrará os gravuristas brasileiros numa exposição paralela, Artes gráficas no Brasil: um ensaio. "Temos uma longa tradição nas diferentes técnicas de gravura sobre madeira e sobre metal, água-forte, água-tinta, ponta-seca. Alguns gravadores tiveram premiações nacionais e internacionais. São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Salvador, Pernambuco e o Nordeste, de um modo geral, foram centros produtores de artistas voltados para a antiga e tradicional técnica da gravura", relata o diretor-curador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araujo. "Esta mostra faz um 'link' entre a exposição das gravuras ukiyo-e do século 19 e a da gráfica de livros de arte Raízes".

Nesse panorama, Araujo se refere a artistas como Oswaldo Goeldi, no Rio de Janeiro, Lívio Abramo, em São Paulo, Henrique Oswald, na Bahia, e Samico, em Pernambuco, além dos inúmeros ilustradores anônimos dos folhetos de cordel. "Isso prova a grande eficiência que a gravura teve como fato político popularizador da obra de arte", diz o curador, lembrando-se ainda dos Clubes da gravura, como o de Bagé, a Oficina de Olinda, a Escola de Belas-Artes da Bahia, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

"Gravadores tornaram-se célebres, a exemplo de Marcelo Grassmann (primeiro como xilogravador e depois como gravador em metal), Maria Bonomi, Anna Letycia, Fayga Ostrower, Isabel Pons, João Câmara, Samico, Rossini Perez, Poty, Odetto Guersoni, Maciej Babinski, Carlos Scliar e Glauco Rodrigues, para citar alguns dos artistas responsáveis pela alta qualidade da gravura brasileira e pelo prestígio mundial que ela alcançou", afirma Araujo. "Talvez tenha sido a mais importante expressão artística que o Brasil produziu dos anos 60 a 80. Esse prestígio deu espaço à exposição organizada pelo diretor do Museu de Arte Contemporânea (MAC) de São Paulo, Walter Zanini, que se constituía numa forma de apresentar os jovens gravadores".

Mais informações: www.museuafrobrasil.org.br

A arte do Ukiyo-e. A tradição da gravura japonesa
Artes gráficas no Brasil: um ensaio

Entrada gratuita
Abertura para o público: 16 de abril de 2014
Visitação: de terça-feira a domingo*, das 10h às 17h (com permanência até às 18h)
Local: Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera (portão 10)
Av. Pedro Álvares Cabral, s/n - São Paulo / SP
Informações: (11) 3320-8900
*Na última quinta-feira de cada mês, o horário de funcionamento será estendido até às 21hs, para atendimento noturno ao público visitante