
Faleceu, na madrugada do último dia 26 de setembro de 2026, em Tóquio, aos 87 anos de idade, Masayoshi Morimoto, conselheiro consultivo do Bunkyo.
Morimoto mantinha há vários anos, uma profunda ligação com o Brasil, em especial com o Bunkyo. Desde 2014, anualmente vinha do Japão para participar do FIB – Fórum de Integração Bunkyo e, desde 2022 era conselheiro consultivo do Bunkyo.
Graduado pela Faculdade de Direito da Universidade de Tóquio (1962) e MBA pela Universidade Columbia, Nova Iorque, EUA (1963/64), atuou durante 39 anos (1962/2001), junto à Sony Corporation, onde ocupou os cargos de diretor e vice-presidente executivo (2000/2008), presidente da Sony Brasil (1987-1997) e presidente da Sony Manufacturing Company of America (1982-1987).
Também foi presidente da Aiwa Corporation (2001/2002), presidente e CEO da Benesse Corporation, Japão (2003/2007), professor de MBA no Japão da Universidade do País de Gales (2010/2020), conselheiro sênior para o Desenvolvimento Econômico do Governo da Nova Zelândia (2014/2020) e presidente de M. Proconsulting (Consultor de Negócios).
Atualmente, além de diretor-gerente da Kaigai Nikkeijin Kyokai (Associação dos Nikkeis e Japoneses no Exterior), ministrava palestras sobre as características da sociedade japonesa e da gestão empresarial japonesa para estudantes e empresários estrangeiros.
“Aos meus amigos nikkei-brasileiros”



Este é o título do livro lançado, no último dia 13 de julho, de autoria de Morimoto. Foi uma cerimônia que reuniu os amigos, membros das comissões e diretoria do Bunkyo para expressar gratidão e retribuir a amizade cultivada por Morimoto ao longo dos anos.
A publicação do livro (português/inglês/japonês) foi coordenada por amigos no Brasil, ao mesmo tempo em que chegava a notícia que Morimoto estava sendo submetido ao tratamento oncológico.
Além do livro, vários grupos do Bunkyo, incluindo membros do Comitê Jovem, passaram a confeccionar os origamis de tsuru que foram enviados ao Japão, buscando simbolizar a amizade do Brasil e os desejos de pronto restabelecimento.
No dia 12 de setembro último, durante o 18º FIB – Fórum de Integração Bunkyo, foi prestada homenagem a Morimoto destacando seu legado por meio da participação no FIB desde 2014, como palestrante e um dos patrocinadores do evento. Era uma espécie de compromisso anual renovar os contatos com as novas e antigas lideranças do FIB, expor suas ideias e projetos em palestras e mesas redondas durante os dois dias de evento.
Estreou em 2014, na 6ª. edição do FIB que tratou sobre “Brasil e Japão Juntos – Conexão sem Limites” e veio anualmente até 2019, na 11ª edição sobre “Nós, Nikkeis Brasileiros”, às vésperas da pandemia. Em 2022, esteve na 14ª edição do FIB sobre “Dialogar para Transformar Unir e Conectar”.





Foto 1: Morimoto e Marcelo Hideshima (à direita), durante a 8ª edição do FIB, em 2016.
Foto 2: Masayoshi Morimoto durante palestra no 6º FIB, em 2014.
Foto 3: No 6º FIB, em 2014, entre os jovens responsáveis pela organização do evento.
Foto 4: No 6º FIB, em 2014, Morimoto entre Ricardo Nishimura (à es) e Mauricio Miyasaki.
Foto 5: Morimoto segura a bandeira dos oito valores nipo-brasileiros durante visita à Fazenda Aliança, em 2024.

Sua última viagem ao Brasil foi em 2024 – veio acompanhado da esposa Tomuko Morimoto e juntos com os jovens conhecidos e membros do Bunkyo, visitaram a Fazenda Aliança em São João da Boa Vista, propriedade do Dr. Renato Ishikawa.
“Aos meus amigos nikkei-brasileiros”, um livro que, de acordo com o presidente de honra do Bunkyo, Renato Ishikawa, Morimoto qualificou como “rascunho de memórias”, na realidade, se completa com sua saudação e testemunho de seus sentimentos ao receber a missão de “embaixador” do Bunkyo ao ser nomeado como conselheiro consultivo.
Afirmava estar “muito honrado” com o convite e escreveu:
“Antes de trabalhar no Brasil, trabalhei por 15 anos na fabricação de TV em cores da Sony na California, EUA, empregando milhares de pessoas locais. Quase não tive contato com profissionais nikkeis nem com comunidades nikkeis durante minha estadia nos EUA, exceto algumas pessoas contratadas, uma dúzia de trabalhadoras japonesas que se casaram com soldados americanos quando estavam estacionados no Japão e se mudaram para os EUA. Me deu a impressão de que os nikkeis nos EUA não gostavam de se associar, interagir com os japoneses nem com as empresas japonesas.
No Brasil, a situação era totalmente contrária. Eu não teria conseguido administrar bem a Sony Brasil sem os excelentes diretores, gerentes e engenheiros nikkeis que tínhamos no escritório de São Paulo e na fábrica de Manaus. Citando alguns nomes, também tive muita ajuda de profissionais nikkeis, como a do Dr. Masato Ninomiya e a do Decio Hanyu (que descanse em paz).
Descobri que os nikkeis brasileiros herdaram muitas virtudes japonesas, como honestidade, trabalho árduo, modéstia de seus ancestrais e ao mesmo tempo, adquiriram virtudes brasileiras. Eles são muito simpáticos, têm grande tolerância a diversidades e possuem o modo de pensamento flexível.
Eu me sinto mais confortável quando estou com nikkeis brasileiros. É por isso que gosto de aprofundar minha amizade com os nikkeis brasileiros através da minha participação no FIB todos os anos, desde 2014, sabendo que Bunkyo e suas organizações afiliadas são as mais ativas e respeitadas na comunidade nikkei no Brasil.
Estou envolvido nas atividades da Associação Kaigai Nikkeijin Kyokai há quase dez anos. E sei que os nikkeis brasileiros no Brasil e no Japão são membros fundamentais e mais importantes para a Associação e, ao mesmo tempo, são meus amigos.
Como membro do Conselho Consultivo da Bunkyo, gostaria de renovar meus esforços para contribuir com o bem-estar dos nikkeis brasileiros, e se possível, ajudar os japoneses no Japão a aprenderem a ser simpáticos, aceitar as diversidades e pensar com flexibilidade como os nikkeis brasileiros”.
Os depoimentos dos nikkeis-brasileiros


Na noite do dia 13 de julho, durante o lançamento do livro“Aos meus amigos nikkei-brasileiros”, as saudações dos presentes testemunharam as diferentes situações de convivência com Morimoto, conforme registro do jornal Brasil Nikkei, na edição de 18 de julho de 2026.
Para o Dr. Masato Ninomiya, amigo de longa data, responsável pelo prefácio do livro, considerava o autor como uma das principais referências nas relações Brasil-Japão nas últimas décadas e “mentor dos jovens líderes da comunidade nipo-brasileira”.
Já o presidente do Bunkyo, Dr. Roberto Yoshihiro Nishio, também advogado como Morimoto, relembrou dos anos de 1980, em que ambos atuavam na Comissão Jurídica da Câmara de Comércio e Industria Japonesa no Brasil, cujo boletim era editado somente em japonês. Dr. Nishio conta que, na época em que Morimoto foi presidente da Comissão, o boletim também passou a ser editado em português, fato que proporcionou mais visibilidade à instituição e reconhecimento aos advogados associados.
O presidente Nishio ainda destacou o vínculo afetivo com a nova geração de líderes da comunidade que tem como referência a época em que Ricardo Nishimura coordenou a organização da FIB.



Já o presidente de honra do Bunkyo, Dr. Renato Ishikawa, que também conviveu com Morimoto em suas viagens ao Japão para participar da Convenção do Kaigai Nikkeijin Kyokai, entidade que Morimoto era diretor-gerente, afirma que, ao ler seus relatos, percebeu que “eles deveriam chegar a mais pessoas, não só no Brasil, mas ao Japão e outros países”. Foi então que, com a permissão do autor, os textos foram vertidos para a versão trilíngue, “com muito amor e dedicação, graças ao apoio da equipe da CNL e do vice-presidente Daniel Luxo”.
Sobre as conversas com Morimoto, o presidente de honra relembra: “Ele sempre dizia que, enquanto os nikkeis americanos costumam deixar raízes de lado para se integrar, nós, brasileiros, carregamos uma dupla identidade plena: somos 100% brasileiros e 100% japoneses, e isso é a nossa maior força.”
Mauricio Miyasaki e Ricardo Nishimura foram os jovens que “adotaram” Morimoto como uma das referências Brasil-Japão nas edições do FIB. Na noite do lançamento do livro, Nishimura lembrou que, desde 2014, sempre que Morimoto vinha ao Brasil, organizava sua agenda por quase uma semana inteira — reuniões, encontros com jovens, jantares com funcionários da Sony e com famílias de amigos.
De acordo com Ricardo Nishimura, “ele era transparente, autêntico, e preferia sempre abrir caminhos para outros a ocupar a cena. Quando compartilhei com ele a ideia de promover os valores nikkeis no Brasil, ele apoiou de primeira, e disse: ‘vá em frente, isso é fundamental’”, contou, acrescentando que esse “empurrão” se concretizou no “Projeto Geração”. Relatou ainda que, ao sugerir a Morimoto para registrar suas memórias, “em menos de dez dias, ele enviou todo o manuscrito, cheio de lições de vida”.


No último dia 12 de setembro, durante a 18ª. edição do FIB, foi prestada homenagem especial com o lançamento da Medalha Masayoshi Morimoto com a finalidade de “prestar o reconhecimento para as lideranças e entidades que se destacaram pelos seus serviços prestados à comunidade nikkei no Brasil”.
Na ocasião, foi entregue a Medalha para Toshio Koketsu, atual vice-presidente do Hanroso e para Fundação Kunito Miyasaka, recebida pelo presidente Teodoro Sato.
Masayoshi Morimoto foi homenageado com a terceira Medalha que será entregue à viúva pelo presidente de honra Renato Ishikawa que viajará ao Japão nos próximos dias.
No último dia 26 de setembro, foi a conselheira consultiva do Bunkyo, Hitomi Sekiguchi, quem transmitiu a notícia do falecimento de Masayoshi Morimoto, ocorrido nessa madrugada.
Na mensagem afirmou ter recebido informações da viúva, Tomuko Morimoto, de que “irá depositar no caixão os tsuru que os amigos do Brasil lhe entregaram, agradecendo de coração todo o carinho e amizade que recebeu em vida”.






