
No sábado (último dia 25 de abril), a manhã ensolarada deu mais brilho ao Pavilhão Japonês, considerada “joia rara” do Parque Ibirapuera, como disse Samuel Lloyd, diretor geral da Urbia, na cerimônia de reinauguração que reuniu cerca de 100 convidados.
Fechado desde o final de 2025, o Pavilhão Japonês passou por reformas em vários setores visando recuperar locais desgastados pelo tempo (madeiras e vegetais), substituição de telhado do Salão de Exposição e instalação de novos bancos de madeira.
Gioji Okuhara, presidente da Comissão de Administração do Pavilhão Japonês, abriu o evento destacando que este encontro tinha como finalidade “agradecer” as pessoas, as instituições, as empresas que possibilitaram condições para executar os trabalhos. Também, para promover a “união” da comunidade nikkei cujo propósito é a “preservação” deste que ele considera como o “único espaço de comunidade estrangeira no Ibirapuera”.

Na plateia, ao lado dos membros da diretoria do Bunkyo (liderados pelo presidente de honra Renato Ishikawa e presidente Roberto Yoshihiro Nishio), estavam as ilustres autoridades: o embaixador do Japão no Brasil Yasushi Noguchi; a cônsul-geral Yoriko Suzuki do Consulado-Geral do Japão em São Paulo; o representante-chefe da JICA no Brasil Akihiro Miyasaki; o presidente da Japan House de São Paulo Carlos Augusto Rosa; o vereador e secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho Rodrigo Hayashi Goulart; o diretor executivo de Projetos Estratégicos da SP Negócios Aurélio Nomura; o representante do deputado federal Kim Kataguiri, Rafael Minatogawa; a secretária municipal de Relações Internacionais Ângela Gandra Martins; o ex-deputado federal Valter Ihoshi, o vereador Kenji Ito, a ceramista Hideko Honma; o jornalista e apresentador da CNN Márcio Gomes e a jornalista Taiga Correa Gomes; a chef Telma Shimizu; o presidente da Fundação Kunito Miyasaka Teodoro Sato; o presidente da Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil José Taniguchi; o vice-presidente da Câmara de Comércio e Industria Japonesa no Brasil Wagner Suzuki; ao membros do “Amigos do Pavilhão Japonês”, entre outros convidados.


Celebrar as melhorias do espaço e expressar gratidão
Roberto Yoshihiro Nishio, presidente do Bunkyo, inicialmente, dirigiu os agradecimentos ao vereador e secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho Rodrigo Hayashi Goulart (que também representou o prefeito Ricardo Nunes) e a secretária municipal Ângela Gandra Martins, cuja “presenças nos orgulham”, neste local que “melhor simboliza a amizade que foi estabelecida entre os dois países” e é “símbolo emblemático entre Brasil e Japão”.
Agradeceu a participação do embaixador do Japão Yasushi Noguchi e a da cônsul-geral do Japão Yoriko Suzuki, e pela valiosa contribuição para reforma do telhado do Salão de Exposição e empenho para preservação desse monumento histórico. Também manifestou gratidão “aos membros da comunidade nikkei que têm abraçado o Pavilhão” e durante esses 71 anos têm nos ajudado a “cumprir nossa responsabilidade de manter o Pavilhão Japonês”.

Já Samuel Lloyd, diretor geral da Urbia, administradora do Parque Ibirapuera – que considera o Pavilhão com “uma joia rara” e o “local mais bonito” -, destacou seu reconhecimento pelo trabalho conjunto para valorizar cada vez mais e “preservar este lugar tão peculiar”, bem como “para renovar este espaço de respiro no meio desta movimentada cidade”.

O vereador e secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho Rodrigo Hayashi Goulart enalteceu as obras realizadas e relembrou das “brigas na Câmara Municipal”, ao lado do então vereador
Aurélio Nomura, “para excepcionalizar o Pavilhão Japonês no processo de privatização dos parques municipais”. Batalha vencida, destacou ainda a emenda parlamentar de sua autoria para instalação das obras e equipamentos de acessibilidade.

Para a cônsul-geral Yoriko Suzuki, esta cerimônia tratava-se de um “momento muito especial” de celebração não só das melhorias do espaço, como também para enaltecer a gratidão “pelo acolhimento que tem sido oferecido às altas autoridades de seu país que visitam o local”.

Já o embaixador do Japão, Yasushi Noguchi salientou a satisfação de retornar ao Pavilhão Japonês que continuamente visitava como cônsul-geral de São Paulo, entre 2017 e 2020. Também elogiou a “continuidade dos esforços para preservação desse símbolo do relacionamento Brasil-Japão” e parabenizou “o esforço de cada um dos senhores”.

Ao final da saudação, o Bunkyo fez a entrega à cônsul-geral Suzuki de uma placa de agradecimento pelo subsidio concedido pelo governo do Japão. Na ocasião, o presidente Nishio também lembrou os esforços do então cônsul-geral Toru Shimizu, atualmente embaixador em Bogotá (Colômbia).


No encerramento, o presidente de honra do Bunkyo Renato Ishikawa foi responsável pela condução do kampai (brinde). Afirmou que “esta reforma que hoje estamos celebrando começou lá atrás” e salientou o apoio a dedicação do então presidente da Comissão de Administração do Pavilhão Japonês (atual vice-presidente) Claudio Kurita.

Em seguida foi servido o brunch preparado pelo restaurante Aizomê, coordenado pela chef Telma Shimizu.

O encerramento da cerimônia de reinauguração do Pavilhão Japonês aconteceu no Salão Principal com a admirável performance do grupo Nihonbuyo Fujimaryu Yoshikotokai.









Entre as reformas, o novo telhado do Salão de Exposição
Gioji Okuhara, antes de apresentar as várias imagens demonstrando as recentes obras, destacou a importância do trabalho conjunto, a união, “como as obras de encaixe que simboliza a arquitetura deste Pavilhão” e reverenciou o apoio de todos.
A reforma de maior envergadura foi a substituição do antigo telhado de amianto do Salão de Exposição e da passarela por material de zinco, graças ao subsídio do governo do Japão por meio do projeto comunitário voltado à cultura (Kusanone Bunka).
A doação, em comemoração ao 70º aniversário do Pavilhão Japonês, foi realizada em março de 2025, na gestão do cônsul-geral Toru Shimizu, e visou completar as obras de restauração das instalações de madeira (internas e externas) do Salão de Exposição, realizadas em 2015, pela empresa japonesa especializada Nakashima Komuten.
“O telhado ficou muito bonito e ficamos muito felizes de ter participado da execução dessa obra que, com certeza, vai ficar como legado, por muitos anos”, afirmou Claudio Kurita.
De acordo com ele, “o processo do Kusanone Bunka não é simples de fazer”, acrescentando que, além da colaboração do então cônsul-geral Toru Shimizu, também contou com a importante ajuda dos cônsules culturais”.
Firmada a doação em março de 2025, relata Kurita, em conjunto com a arquiteta Elizabete Emi Niwa (credenciada da Nakashima Komuten), passaram a analisar diferentes opções para atender às condições locais.
No final, juntamente com o atual presidente Okuhara, foi decidida pelas telhas de zinco pintada “compatível com o conceito original do arquiteto japonês Sutemi Horiguchi e por ter sido a telha original detectada após a retirada das telhas de fibrocimento que cobriam o local”, de acordo com o relatório elaborado pela equipe organizadora da renovação do telhado.
Kurita informa que foi escolhida a empresa Ndidini com experiência de montagem em diversos espaços culturais de telhados antigos semelhantes aos do Pavilhão Japonês. Acrescenta que essa empresa foi responsável pela instalação do telhado do Museu de Língua Portuguesa, no centro de São Paulo.
Kurita conta que outra questão foi escolher a melhor época para as obras, já que o Pavilhão deveria ficar fechado para visitação. “Definimos pelo final de ano, embora sabendo dos problemas com as possíveis intempéries”. Admite que, realmente, as chuvas chegaram a atrapalhar, “mas no final deu tudo certo”.
No Salão de Exposição, além da substituição do telhado, também foram retiradas as venezianas de madeira instaladas nas janelas laterais – instaladas durante alguma reforma – já que elas não fazem parte do projeto original de Horiguchi, em 1954. A proposta é que as amplas janelas permitiam a entrada da luz solar e proporcionavam uma sensação de ampliação.
As diversas melhorias em diferentes setores

Além dessa substituição de telhado, relata Okuhara, como resultado de várias iniciativas de captação de recursos, foi possível programar outros trabalhos conjuntos de melhorias.
A partir dos recursos da Lei Rouanet do Ministério de Cultura, patrocinados pela Daikin do Brasil, Mayekawa Mycom e Sakura, foram reformados os tacos de madeira do Salão Principal (muitos estavam seriamente deteriorados devido aos ataques de cupins), limpeza das madeiras dos assoalhos, restauração dos tatames da Sala de Cerimônia de Chá, reforma do paisagismo e/ou recuperação dos jardins externos e internos, novos totens de sinalização, etc.
O setor do Lago das Carpas, uma das atrações do Pavilhão, graças ao apoio da Sansuy e emenda parlamentar do vereador Kenji Ito (por meio da Secretaria do Verde e Meio Ambiente) também passou por amplas melhorias. Foi substituída a lona (após as obras de manutenção no fundo do lago), bem como reformas das instalações civis e do jardim do entorno.
Importante destacar que a criação das carpas coloridas também conta com o apoio técnico da Associação Brasileira de Nishikigoi e apoio da Nutricon responsável pelo fornecimento das rações.
Outra ação destacada foi o apoio do grupo “Amigos do Pavilhão Japonês” (Nihonkan Shiensha) formada por 14 membros cuja doação, entre outras melhorias, possibilitou a confecção de 14 bancos em madeira maciça (foi utilizada a madeira pequiá. Os arquitetos Márcio Tanaka e João Spindola, da LW Design, foram os responsáveis pela concepção dos bancos que foram instalados em diversos locais do jardim. “Como no Pavilhão, também usamos a técnica de encaixe da tradicional arquitetura japonesa”, explicou Tanaka.
Fazem parte do “Amigos do Pavilhão Japonês”: Fundação Kunito Miyasaka; Renato Ishikawa e família; Paulo Nishimura e família; Agenor e Hideko Honma; Clóvis e Simone Ikeda; Gioji e Midori Okuhara; Hélcio e Cristiane Honda; Helen e Roberto Ohara; Minolu Camicado; Nelson Sato e família; Roberto e Eliana Nishikawa; Ricard Akagawa e família; família Yamaniski e Soneda – A Casa da Beleza.
O presidente Okuhara, em seu relatório durante a cerimônia ainda destacou o apoio da Omega Light, Fast Shop (equipamentos eletroeletrônicos) e Casa Dexco (pisos e loucas). Informou ainda que a empresa Shouri foi responsável pelo paisagismo, o escritório Benedito Abbud pelos conceitos, a A10 e a Creative Display pela comunicação visual e o arquiteto Roberto Kubota pela elaboração de conceitos voltados a novos projetos.








Pavilhão Japonês – Parque Ibirapuera, São Paulo
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – SP (Portão 10)
Horário de funcionamento: de quinta a domingo, das 10h às 17h
Entrada: R$20 inteira / R$10 meia
Gratuito às quintas-feiras
Informações: @pavilhao_japones
Realização: Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo)






