
Faleceu, no último dia 6 de junho, o professor Kokei Uehara, aos 98 anos de idade, viúvo, deixas as filhas Michele, Norma e Márcia.
A Cerimônia de Despedia será no Funeral Home – Sala Roma, na Rua São Carlos do Pinhal, 376 – Bela Vista, São Paulo, neste dia 8 de junho, das 14h às 18h.
Professor emérito da Escola Politécnica da USP (onde se formou em 1953), é respeitado como um dos ícones da engenharia hidráulica. Presidiu o Bunkyo de 2003 até 2009.
Natural de Naha (Okinawa), nasceu em 26 de novembro de 1927, e emigrou ao Brasil em 1936, aos 8 anos de idade, sem os pais, para viver com os irmãos mais velhos que trabalhavam na zona rural em Olímpia (SP).
Kokei contava que, como “era o caçulinha, estudou graças aos meus irmãos que ficaram puxando enxada”. Mas, também, a vida de estudante não era fácil: o grupo escolar ficava a 11 quilômetros de sua residência e tinha que pegar a “jardineira”, e quando chovia tinha de “ir correndo para a escola”.
Ingressou a Escola Politécnica em 1949 e desde 1952 trabalhava como assistente de professores – em 1953, ao terminar o curso de engenharia hidráulica, já dava aulas. Oficialmente, iniciou sua carreira acadêmica em 1958, aposentando-se em 1997, e em 2000 recebeu o título de Professor Emérito da Escola Politécnica.
Em 1955 foi contemplado como uma bolsa de estudos do governo francês e, durante cerca de um ano e meio, estudou na Universidade de Sorbonne (curso de Mecânica de Fluídos), na École Nationalle de Ponts et Chaussées (Hidráulica Geral), além de estágio no Laboratório de Hidráulica em Chatou. Recém-casado com a nissei Kátia, sempre relembrava saudoso da época vivida em Paris.
Juntamente com as atividades acadêmicas, ele se dedicou aos estudos de engenharia hidráulica e se tornou o maior especialista em construção de barragens do País. Participou do estudo hidráulico da construção de Itaipu e projetou outras barragens no País (Barra Bonita, Bariri, Ibitinga, Promissão, Três Irmãos, Jupiá e Ilha Solteira), e outras no Peru e Bolívia.
Foi representante do Brasil na Unesco, de 1965 a 1974, no Decênio Hidráulico Internacional e em 1988 participou de estudos da VI Expedição Brasileira na Antártica no navio oceanográfico Professor Besnard. Também trabalhou gratuitamente como consultor técnico de obras da cidade de São Paulo e do interior.
Com seu trabalho conhecido como “Método Kokei Uehara” em hidrologia, conduziu projetos desafiadores e foi descrito como “O Domador de Rios”, numa obra em sua homenagem (“Kokei Uehara – Domador de Rios”), de autoria de Aldo Pereira.
O professor Kokei foi um dos fundadores tanto da FATEC (Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo) e da FAT (Fundação de Apoio à Tecnologia).
Kokei Uehara, ícone do Centenário da Imigração Japonesa
Kokei Uehara, indicado por vários líderes nipo-brasileiros, foi eleito para ocupar a presidência do Bunkyo num momento em que cresciam as expectativas para as comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.
Ocupou a presidência do Bunkyo de 2003 até abril de 2009, assumindo com admirável desenvoltura os incontáveis compromissos nacionais e internacionais decorrentes da época comemorativa.
Nas entrevistas sobre imigração japonesa, ele era o próprio personagem – além das histórias de sofrimentos e resiliência (sempre se referia à enxada “Duas Caras” que puxou quando garoto), também sua vida era um exemplo de dedicação familiar aos estudos de seus filhos e expressão dos valores japoneses. Sobre sua pessoa, sempre fez questão de salientar que não era inteligente, era esforçado.
Suas manifestações sobre a imigração nunca foram carregadas de mágoa ou revolta pelas dificuldades enfrentadas pelos nipo-brasileiros, mas de gratidão à acolhida que todos receberam neste país.
Sorridente e atencioso, gentil e discreto, o professor Kokei sempre tinha palavras de otimismo e incentivo, e suas reprimendas eram expressas de forma sutil e elegante.
Entre suas ações frente à entidade, um dos legados foi a organização do FIB – Fórum de Integração Bunkyo, em 2007, às vésperas do Centenário da Imigração Japonesa, criado, entre outras finalidades, para fortalecer o relacionamento das entidades nipo-brasileiras de diferentes regiões.
Sempre que tinha oportunidade fazia questão de ressaltar a necessidade de oferecer mais apoio à participação dos jovens e das mulheres. Aliás, nesse sentido, não disfarçava sua satisfação com o desempenho de Harumi Arashiro Goya, eleita a primeira mulher a ocupar a presidência do Bunkyo de 2017/2019. Ela chegou à entidade em 2003, a convite do então presidente Kokei para ocupar o cargo de 2ª. tesoureira.
Certamente, uma das passagens que mais lhe emocionou como dirigente e imigrante japonês, foi o encontro, no Palácio Imperial, com o então imperador Akihito e imperatriz Michiko. Nessa ocasião, relembra, contou sua trajetória e também pode relatar sobre a comunidade nipo-brasileira. Contava com orgulho que foi “uma feliz oportunidade para fortalecer os laços humanos que unem os dois países”.
Também, como presidente da Comissão Organizadora do Centenário recepcionou o então príncipe herdeiro Naruhito (atual imperador) em visita ao Brasil, em 2008. O professor Kokei Uehara, nos últimos anos, enquanto sua saúde permitiu, sempre fez questão de prestigiar os diversos eventos do Bunkyo.






