22ª COPANI, mais visibilidade ao Bunkyo e aos nipo-brasileiros

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Talvez para Valter Sasaki (presidente da APN – Associação Panamericana Nikkei) e Claudio Kurita (presidente da Comissão Organizadora da 22ª Copani – Convenção Panamericana Nikkei), o desafio de coordenar grandes evento não fosse novidade. Mas, certamente, planejar e estruturar esta edição, sediada no Bunkyo, na entidade representativa da maior comunidade nipo-brasileira, as preocupações foram se avolumando desde que, em 2024, na Copani no Paraguai, o Brasil foi escolhido como sede da edição seguinte.

Só puderam respirar aliviados quando, antes mesmo de terminar a Convenção, passaram receber dos participantes manifestações elogiosas sobre a organização e qualidade dos expositores.

Além das preocupações inerentes com um evento de abrangência interncional, comenta Claudio Kurita, uma das exigências da entidade coordenadora, a APN, é que o país sede deve informar com um ano de antecedência o orçamento do evento. “Sabemos da intenção dos organizadores em garantir a qualidade do evento, tanto que esse item consta do estatuto da entidade organizadora”, afirma, “mas também é fato que nesse meio tempo, estamos sujeitos a uma série de intempéries que fogem de nosso controle”.

Felizmente deu tudo certo.

O Brasil sediou de 5 a 7 de junho, a 22ª edição da Copani, com cerca de 400 participantes (entre eles, participantes de 14 países da América Latina), com o tema “Liderando a Mudanças”, ocupando as instalações do Bunkyo e do Nippon Country Club (em Arujá).

Na abertura do evento, na manhã do dia 4 de junho, com a presença de importantes representantes do Brasil e Japão, como o embaixador do Japão no Brasil Yasushi Noguchi, a surpresa foi a convidada ilustre – Akie Abe, viúva do saudoso premiê japonês Shinzo Abe.

O relacionamento do Japão com a América Latina tem um marco histórico com a vinda, em 2014, do então premiê Abe acompanhado da esposa. Na ocasião, entre vários acordos bilaterais, foram estabelecidas a bases de cooperação que foi chamada de Parceria Estratégica e Global.

Na comunidade nikkei, esse plano foi batizado como “Juntos”, estabelecendo as intenções para maior aproximação dos meios diplomáticos japoneses com os descendentes.

Em sua saudação, emocionada, Akie Abe relembrou da viagem que fez ao lado do marido: “dizia ele que os nikkeis nos esperam de coração, por isso temos de corresponder com toda a sinceridade”. Talvez para os mais jovens, ainda pouco familiarizados com essas tratativas diplomáticas, não foi possível entender a emoção do momento, mas, para os mais veteranos, esse sentimento se misturou à gratidão.

“Agora, estou aqui, sozinha, mas sinto a mesma emoção, o mesmo entusiasmo, a mesma gratidão que meu marido sentiu”, afirmou, com a voz embargada. “Como japonesa, fico profundamente tocada pela determinação e pela confiança transbordante que vocês alcançaram, sempre, sempre olhando para frente. Pensei que também preciso me esforçar mais”.

Capacitar e fortalecer a juventude

Para Claudio Kurita, presidente da Comissão Organizadora da Copani, “o resultado do evento superou todas as expectativas”. A despeito de todas as preocupações (principalmente com os recursos financeiros), o resultado “foi surpreendente e gratificante”, destacando que, “pela primeira vez, o evento foi integralmente conduzido pela nova geração, jovens da terceira, quarta e até quinta geração de descendentes de japoneses”.

Assim, salienta, “tivemos a oportunidade de dar uma cara nova para o evento, ou seja, foi pensado, imaginado e criado por esses jovens que em breve estarão à frente da condução de nossa comunidade nipo-brasileira”.

De acordo com Kurita, muitos dos 150 jovens voluntários nunca haviam participado de uma Copani mas, acredita que “esta foi a primeira de muitas experiências de virão, em 2028 quando será realizada no Canadá e em 2030 no Chile”.

Para ele, esta edição da Copani “se consolidou como um evento verdadeiramente global e dinâmico”. Apontou o alcance internacional com a participação de mais de 14 países, incluindo a presença inédita de Cuba e El Salvador. Coincidentemente, as maiores delegações foram do Paraguai que sediou a Copani anterior e a do Canadá que sediará em 2028. Além disso, do Brasil vieram representantes de todas as regiões do país.

Aponta que o evento renovou ao instituir o “Copani Cast” – um podcast com mais de 50 entrevistas gravadas com histórias de vida emocionantes dos voluntários e participantes do Brasil e do exterior.

Outra novidade foi o “Copani shop” que reuniu produtos de entidades beneficentes e microempresários nikkeis e o “Copani Club” que integrou empresas, restaurantes, cafés e prestadoras de serviços oferecendo benefícios aos participantes.

Busca pela integração com outras comunidades

Valter Sasaki, vice-presidente do Bunkyo e presidente reeleito da APN, avalia que a 22ª edição “felizmente ocorreu de acordo com a previsão e recebeu muitos elogios dos participantes do Brasil e do exterior”.

De acordo com ele, esse sucesso da Copani representou “um avanço cultural” muito importante, dando visibilidade para o Bunkyo e também para a comunidade nipo-brasileira. Na realidade, continua, “é este o propósito da Copani, fazer com que se conheça um pouco mais dos programas e como a comunidade está evoluindo”.

Lembra que foi na gestão do presidente Renato Ishikawa junto ao Bunkyo que se intensificou a busca pela integração com as comunidades de outros países e reconhece que “tanto o Bunkyo como a comunidade nipo-brasileira têm pouco relacionamento e participação nos eventos e trabalhos de outros países”. Assim, este evento representou um avanço significativo “para mostrar o que somos, o que fizemos e o que estamos fazendo”.

No entanto, aponta, “temos muito mais para mostrar, mas foi interessante, por exemplo, destacar as atividades desenvolvidas por um promotor público de Bauru e por uma campeã brasileira de judô junto à comunidade do Complexo do Alemão no Rio de Janeiro. Mostrar que nos preocupamos em resolver os problemas sociais que, sabemos, em outros países, também as pessoas sofrem com problemas de exclusão social e muita coisa para ser feita”.

Sobre a escolha dos diferentes temas abordados nesta Copani, o presidente Sasaki informou que “os mais jovens sugeriram os temas e nomes e a decisão foi tomada em reunião”, sempre priorizando “em ser atrativo para os mais velhos e os jovens, buscando o meio termo”. Ressalva, no entanto, que um painel reunindo influencers foi unanimidade, “sempre buscando um empreendedor de sucesso e que fosse inspirador em suas realizações”.

As reuniões plenárias foram realizadas no Grande Auditório, acompanhadas por tradução simultânea, e as seis sessões temáticas foram distribuídas em vários espaços na sede da entidade. Lamenta que, devido à limitação de recursos financeiros, não foi possível contratar interpretes para todas as salas. “Quem sabe, nas próximas edições, a qualidade das traduções da inteligência artificial tinha melhorado, e possamos contar com a ajuda dela”.

Os principais desafios da Copani

Sasaki lembra que, não só no Brasil, como em todos os países participantes, a preocupação comum “é a necessidade de integrar os jovens. Temos um imenso patrimônio físico e cultural representado pelos kaikans, kenjinkais, casas de repouso, e precisamos garantir sua manutenção”. De acordo com ele, essa questão também é compartilhada pelo governo japonês. “A partir da gestão do Primeiro-Ministro Shinzo Abe, em 2014, essa preocupação ficou evidente, tanto que os consulados e embaixadas têm buscado aproximação com a comunidade e os jovens”.

Acredita que, a partir dos últimos cinco Copani tem registrado crescente participação dos jovens, e que, em alguns locais, tem oferecido facilidades para incentivá-los. Comenta, por exemplo, no Paraguai, onde foi realizada a edição anterior, os organizadores aplicaram o superavit para a vinda dos jovens sem condições financeiras para participar da Copani no Brasil.

Sasaki considera que o principal desafio da entidade é conseguir “fazer uma Copani mais barata, com menor risco para o evento”. Relata que, na véspera da convenção, na assembleia geral da APN, esse assunto foi debatido longamente, tanto que se montou um grupo de trabalho para, em seis meses, apresentar as sugestões.

Até o momento, afirma, “temos conseguido realizar, até com certo superavit, mas sabemos que, em muitos países, a comunidade é menor e as dificuldades se avolumam”. De acordo com ele, “o ideal é que se adote um modelo autossustentável, visto que atualmente, as inscrições dos participantes não têm sido suficientes para arcar com todas as despesas”.

Sua mensagem é que “as Copanis precisam ter continuidade. As ações junto aos jovens são imprescindíveis, mas é preciso que a comunidade nipo-brasileira se interaja mais com as comunidades de outros países, afinal somos pessoas da mesma origem, mesmos valores, mesmo sangue, temos de colaborar uns com os outros. O Brasil tem a maior comunidade nikkei e, a médio prazo, temos de assumir a liderança”.

Encontro de três gerações da COPANI-Brasil: da esq. para dir, Noritaka Yano, presidente da 14a edição, em 2007; Masahiko Tisaka, presidente da 3a edição, em 1985 e Claudio Kurita, presidente da 22a edição, em 2026.

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